Instituto Aupaba no ConservAção MS: turismo regenerativo e de base comunitária em debate

Por:
Clara Carvalho

Presidente do Instituto, Luciana De Lamare, participou do evento em Campo Grande (MS) e levou ao painel sobre turismo regenerativo a visão de que regenerar é cuidar das relações, e não apenas dos produtos

O Instituto Aupaba esteve presente no ConservAção MS, evento promovido pelo Instituto ConservAção Brasil em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, entre os dias 29 de setembro e 1 de outubro. A presidente do Aupaba, Luciana De Lamare participou da programação e, no dia 29, palestrou no painel Turismo Regenerativo e de Base Comunitária.

O painel integrou o Fórum de Turismo e Conservação, espaço do evento dedicado a fortalecer o turismo de natureza, o turismo regenerativo e o turismo de base comunitária no estado. Luciana dividiu a mesa com Flávia Neri, da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul, e a mediação foi de Camila Fernandes.

 

 

Regenerar vai além de não causar dano

Na apresentação “Tendências de futuro: turismo sustentável e regenerativo”, Luciana partiu da origem da palavra, que vem do latim regenerare e significa “gerar de novo”. Dali, defendeu que regeneração é mais do que “não prejudicar”: é restaurar, revitalizar e melhorar sistemas vivos, sociais e ambientais.

Para ela, o turismo regenerativo não é uma técnica nem uma estratégia de marketing. Ele nasce de uma transformação que começa em cada pessoa e se amplia para o coletivo, com o território compreendido como um organismo vivo, que prospera em rede, em colaboração. “Não podemos tomar decisões somente nos baseando em números”, resumiu.

O território no centro

A palestra trouxe uma pergunta que atravessa o trabalho do Aupaba: quais são as dores do meu território e da minha comunidade? Esse olhar de escuta, anterior a qualquer solução, também orienta a metodologia do Instituto, o Design Regenerativo para Territórios e Comunidades (DRTC).

Durante a palestra, Luciana De Lamare abordou o pensamento sistêmico e o design regenerativo como bases para uma visão do turismo capaz de promover o desenvolvimento integral dos territórios, considerando de forma interdependente suas dimensões sociais, ambientais, econômicas, culturais e institucionais.

 

 

A presidente do Instituto Aupaba também destacou o conceito de Future Literacies, ou letramento em futuros, associado ao desenvolvimento de habilidades como pensamento de futuro, sistêmico e exponencial para a construção de futuros desejáveis, e os Inner Development Goals (Objetivos de Desenvolvimento Interior), que partem da compreensão de que transformações externas duradouras também exigem mudanças individuais e coletivas de dentro para fora.

Outro ponto foi a necessidade de avançar para além de abordagens isoladas de ESG, incorporando uma lógica econômica integrada aos ciclos naturais e regenerativos. Luciana chamou ainda a atenção para cadeias produtivas e vocações locais muitas vezes invisibilizadas pelo turismo tradicional, defendendo que seu reconhecimento e integração às cadeias de valor podem ampliar oportunidades econômicas, fortalecer a identidade e o protagonismo das comunidades e gerar impactos positivos nos territórios.

Uma trajetória no terceiro setor

Luciana também compartilhou como sua trajetória pessoal a levou à convicção de que cada pessoa pode ser agente de mudança, independentemente do papel que ocupa. Foi no terceiro setor, contou, que compreendeu o valor desse protagonismo, e essa experiência hoje orienta a atuação do Instituto Aupaba.

Participar para somar

Estar no ConservAção MS reforça o compromisso do Aupaba em dialogar com instituições, pesquisadores, gestores públicos e comunidades que buscam fortalecer a conservação da sociobiodiversidade. Como disse Luciana ao encerrar a apresentação, o turismo regenerativo é uma consequência, e o convite é para sermos agentes de mudança, cultivando empatia e buscando pertencer a algo maior.

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