Regenerar é restaurar a conexão com os outros e com a terra

Vozes da Regeneração | Helena Norberg-Hodge

Pioneira do movimento mundial de localização, Helena Norberg-Hodge acompanha há cinco décadas o que acontece com as comunidades quando o desenvolvimento se desconecta da economia local. Nesta entrevista, ela fala sobre o que se perde primeiro, sobre como fortalecer a identidade local sem isolamento e sobre o que significaria medir o sucesso pelo pertencimento e pelo bem-estar.

O que as comunidades perdem primeiro quando o desenvolvimento se desconecta da economia local, e o que deve ser restaurado primeiro para que a regeneração se torne possível?

As pessoas perdem o senso de conexão umas com as outras e com o seu lugar, com a terra. É nisso que precisamos nos concentrar: em restaurar esse senso de conexão com os outros e com a terra.

Como as economias locais podem fortalecer a identidade cultural e a resiliência ecológica sem se isolar do mundo em geral?

As comunidades locais podem fortalecer seu senso de identidade e sua resiliência ecológica e econômica de forma mais eficaz ao se conectarem ao movimento global pela localização. Isso é o oposto do isolamento, e precisamos nos conectar uns com os outros em todo o mundo, particularmente entre os chamados países ricos e os países pobres. Isso é necessário para desmistificar ideias preconcebidas sobre a realidade da vida nessas diferentes partes do mundo. Isso leva à colaboração e ao aprendizado mútuo.

Em termos de turismo e desenvolvimento territorial, o que significaria medir o sucesso por meio do senso de pertencimento, dos relacionamentos e do bem-estar local, em vez de apenas o número de visitantes ou o PIB?

Se o sucesso fosse medido por meio de pertencimento, relacionamentos e bem-estar, descobriríamos que é muito difícil quantificar relacionamentos saudáveis. É muito mais fácil quantificar o número de pessoas deprimidas, o número de suicídios, o número de conflitos, de crimes, etc. Do ponto de vista ecológico, também é praticamente impossível quantificar ecossistemas saudáveis, enquanto podemos quantificar a perda de espécies, a quantidade e o tipo de poluição. Este é um ponto importante sobre o qual precisamos refletir. Medir a saúde, medir o equilíbrio com números não é o caminho certo. Precisamos mostrar claramente que, em nome do crescimento econômico, em nome da prosperidade econômica, o colapso de todos os tipos — psicológico, social e ecológico — aumentou drasticamente.

Sobre a entrevistada

Helena Norberg-Hodge é uma pioneira do movimento mundial de localização. Seu filme The Economics of Happiness e seus livros Ancient Futures e Local is Our Future apresentam aprendizados essenciais das culturas indígenas para o nosso futuro.

Com 50 anos de experiência em Ladakh e trabalho em mais de vinte países, Helena tem conscientizado sobre a restauração do bem-estar ecológico e espiritual por meio do fortalecimento das comunidades e das economias locais. Com foco central em alimentação e agricultura, ela ajudou a construir um movimento mundial pela alimentação local.

Ganhadora do Prêmio Nobel Alternativo, do Arthur Morgan Award e do Prêmio Goi pela Paz, é cofundadora do International Forum on Globalization e do Global Ecovillage Network.

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