Em Puerto Williams, Luciana De Lamare leva abordagem sistêmica de desenvolvimento territorial a um dos principais encontros acadêmicos do turismo no Chile
Puerto Williams, no extremo sul do continente, foi palco de uma reflexão ampliada sobre o futuro do turismo durante o XIV Congresso da Sociedade de Investigadores em Turismo de Chile (SOCIETUR 2026). Realizado entre os dias 7 e 11 de maio, o encontro reuniu pesquisadores, acadêmicos e profissionais para debater os desafios e caminhos do setor em temas como inteligência artificial aplicada ao turismo, políticas públicas, mudança climática, turismo em áreas protegidas, governança e identidade territorial.

No dia 9 de maio, a presidente do Instituto Aupaba, Luciana De Lamare, apresentou a metodologia de Design Regenerativo para Territórios e Comunidades (DRTC), desenvolvida pela organização brasileira, com foco na aplicação do design regenerativo ao turismo e ao desenvolvimento territorial.
A apresentação trouxe uma abordagem sistêmica para o desenvolvimento territorial, destacando o turismo como parte integrada de sistemas vivos complexos — nos quais dimensões ambientais, sociais, econômicas, culturais e institucionais se inter-relacionam.
“O design regenerativo para o turismo não começa no visitante, começa no território. Ele parte da escuta profunda, do reconhecimento das vocações locais e da capacidade das comunidades de liderarem seus próprios processos de transformação”, explica a presidente do Aupaba.

A metodologia apresentada, desenvolvida pelo Instituto Aupaba, estrutura-se em seis fases — da leitura sistêmica territorial à consolidação de governança e inovação permanente — integrando pensamento sistêmico, teoria da mudança, cocriação multissetorial e avaliação de impacto.
A abordagem responde a desafios recorrentes em territórios turísticos, como a fragmentação institucional, a desarticulação entre atores e a subutilização de ativos bioculturais locais, propondo uma lógica de desenvolvimento baseada na regeneração e não apenas na mitigação de impactos.
“Não se trata de reduzir danos, mas de regenerar sistemas. Isso significa deixar o território melhor do que encontramos — social, ambiental e economicamente”, destacou Luciana.
A apresentação também abordou a importância do turismo como ferramenta de impacto social, capaz de fortalecer identidades, gerar renda e estruturar economias locais mais resilientes. Nesse sentido, a metodologia DRTC do Aupaba propõe a construção de soluções com base em governança compartilhada, autonomia econômica e redes territoriais colaborativas — princípios já aplicados em projetos do Instituto no Brasil.

“Quando o território se reconhece como protagonista, o turismo deixa de ser uma atividade extrativista e passa a ser um instrumento de dignidade, pertencimento e desenvolvimento real”, explica Luciana De Lamare
Societur 2026
Com uma programação que incluiu conferências de especialistas, mesas temáticas sobre ciência, sustentabilidade, ética, tecnologia e desenvolvimento territorial, o Societur evidenciou uma crescente convergência entre produção acadêmica e práticas aplicadas no campo do turismo.
Com participação de pesquisadores de diferentes países, integração entre universidades, empreendedores e instituições públicas, além de debates abertos com a comunidade local, o Societur reforçou a articulação entre ciência e prática no Turismo. Nesse contexto, Luciana De Lamare destacou a importância de fortalecer essa conexão no Brasil:
“Há uma valorização muito consistente da pesquisa aplicada, com trabalhos de alta qualidade que dialogam diretamente com os desafios reais dos territórios. O Chile mostra um esforço estruturado de conectar academia, comunidade e setor produtivo — inclusive em um território estratégico como Puerto Williams, onde há forte presença do Estado e incentivo à pesquisa. Esse é um caminho que precisamos fortalecer no Brasil para avançar em soluções mais consistentes e transformadoras.”
A participação do Instituto Aupaba posiciona a metodologia desenvolvida como uma contribuição para a construção de modelos mais sustentáveis, inclusivos e alinhados às realidades locais. Ao levar essa abordagem para um território como Puerto Williams — marcado por biodiversidade, cultura e desafios ligados à conservação e às mudanças climáticas —, o Aupaba contribui para ampliar o diálogo sobre o papel do turismo na transformação de territórios e na construção de futuros mais regenerativos.
