Instituto Aupaba amplia articulação no Pará e avança na implementação do Ilhas Regenerativas

Por:
LuciN

Agenda em Belém reuniu participação no BioBusiness, encontros institucionais e apresentações do projeto em Cotijuba, Santa Bárbara e Caratateua, fortalecendo a construção coletiva da iniciativa nos territórios

O Instituto Aupaba realizou, entre os dias 18 e 21 de agosto, uma série de agendas em Belém e nos territórios contemplados pelo projeto Ilhas Regenerativas da Grande Belém. A programação combinou articulação com instituições ligadas à bioeconomia, turismo e empreendedorismo e, principalmente, encontros com comunidades de Cotijuba, Caratateua e do município de Santa Bárbara.

Participaram das agendas a presidente do Instituto Aupaba, Luciana De Lamare, a coordenadora executiva, Márcia Alves, e o head de projetos, Alberto Garcia, além da coordenadora local do Ilhas Regenerativas, Tainah Fagundes.

O projeto tem duração prevista de dois anos e propõe fortalecer um modelo de turismo regenerativo que articule geração de renda, valorização dos saberes e culturas tradicionais, conservação ambiental, empreendedorismo comunitário, formação e governança territorial. A atuação envolve prioritariamente Cotijuba, Caratateua e Santa Bárbara, além da troca de experiências com empreendedores da Ilha do Combu.

“O Ilhas Regenerativas busca mostrar, na prática, que é possível gerar oportunidades e fortalecer as economias locais ao mesmo tempo em que valorizamos os saberes das comunidades e conservamos o patrimônio natural e cultural. Queremos construir um modelo em que as pessoas que vivem nesses territórios sejam protagonistas desse processo”, afirma Luciana De Lamare, presidente do Instituto Aupaba.

Bioeconomia e articulação institucional abrem a programação

 

A agenda começou no dia 18 de agosto, com a participação do Instituto Aupaba no BioBusiness, ampliando diálogos sobre bioeconomia, inovação e novas possibilidades de desenvolvimento para os territórios amazônicos.

No mesmo dia, a equipe esteve no Senac Pará, onde se reuniu com o gestor de Relacionamento com o Mercado, Marcio Takemura, para apresentar o Ilhas Regenerativas e discutir possíveis conexões com a iniciativa.

A programação incluiu ainda visita ao Laboratório Fábrica de Bioeconomia, acompanhada pelo turismólogo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (SEMAS), Marcel Assis. A visita permitiu conhecer experiências e soluções relacionadas ao aproveitamento sustentável das potencialidades da região e às cadeias da bioeconomia.

Para Márcia Alves, coordenadora executiva do Instituto Aupaba, a aproximação com iniciativas que já atuam nesse ecossistema e, principalmente, os encontros com as comunidades reforçaram o potencial de construção conjunta do projeto.

“Foram três encontros muito potentes, com comunidades que se sentiram prestigiadas pela nossa presença e prontas para construir esse trabalho de forma regenerativa e colaborativa. Encontramos pessoas já muito integradas e vimos também uma economia que acontece nos territórios, a partir do artesanato, do extrativismo, da agricultura familiar e de muitos outros saberes e atividades locais. Foram dias de muito trabalho, mas, principalmente, de muita conexão. Para mim, essa é a palavra que resume essa etapa: conexão”, destaca Márcia.

Comunidades no centro da construção do projeto

Nos três dias seguintes, a programação chegou diretamente aos territórios contemplados. Foram realizados encontros em Cotijuba, no dia 19; Santa Bárbara, no dia 20; e Caratateua, no dia 21 de agosto.

As apresentações reuniram lideranças comunitárias, empreendedores, artesãos, moradores e representantes locais para conhecer os objetivos e as próximas etapas do Ilhas Regenerativas. Os encontros foram estruturados como espaços de escuta, troca e construção coletiva, permitindo que as comunidades compartilhassem suas percepções sobre as vocações, potencialidades e desafios de cada território.

Essa abordagem integra a metodologia adotada pelo Instituto Aupaba, que compreende o território como um sistema vivo e considera, além dos ativos ambientais e econômicos, as relações, identidades, saberes e dinâmicas existentes em cada local. A metodologia parte justamente de uma leitura territorial que combina dados e aspectos socioeconômicos, ambientais e institucionais com pertencimento, memória, identidade e relações entre os atores locais.

“Não chegamos ao território com soluções prontas. Esses encontros são fundamentais para compreender cada local a partir de quem vive nele, identificar suas vocações e desafios e construir as próximas etapas de forma conjunta. A escuta é o ponto de partida para que as soluções façam sentido para a realidade local e possam permanecer no território”, explica Alberto Garcia, head de projetos do Instituto Aupaba.

Mobilização fortalece presença permanente nos territórios

Além da coordenação local de Tainah Fagundes, o projeto contará com mobilizadores diretamente vinculados aos territórios: Seanny Lima, em Cotijuba; Mateus Mendes, em Santa Bárbara; e Carol Muniz, em Caratateua.

A presença dos mobilizadores reforça a proposta de desenvolver o projeto a partir de uma relação contínua com os territórios. Eles atuarão como pontos de conexão local, contribuindo para aproximar o projeto das comunidades, apoiar a mobilização e a escuta e fortalecer a participação dos atores locais ao longo das diferentes etapas.

Mais do que apoiar a execução das atividades, a atuação desses profissionais busca assegurar que o Ilhas Regenerativas mantenha uma presença conectada às dinâmicas de cada localidade, reconhecendo as redes, lideranças, saberes e relações que já existem. A lógica está alinhada ao princípio de que as oportunidades de desenvolvimento devem partir das vocações do próprio território e fortalecer as capacidades e o protagonismo das comunidades.

Também participaram das agendas representantes da SEMAS: o turismólogo Marcel Assis; a coordenadora de Programas e Projetos da Secretaria Adjunta de Bioeconomia, Ágila Chaves; e a servidora da Secretaria Adjunta de Bioeconomia Claudia Kahwage.

Diálogo com o Sebrae Pará

Na programação do dia 21 de agosto, a equipe do Instituto Aupaba reuniu-se também com Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae no Pará. O encontro integrou o movimento de articulação institucional em torno do projeto e de aproximação com organizações que atuam no fortalecimento do empreendedorismo e das economias locais.

Turismo regenerativo a partir das vocações locais

O Ilhas Regenerativas pretende atuar sobre diferentes realidades dos territórios da Grande Belém. A proposta considera tanto os desafios relacionados à pressão da atividade turística em áreas já visitadas quanto a necessidade de dar maior visibilidade e estrutura a iniciativas comunitárias existentes em locais com potencial ainda pouco aproveitado.

Nesse processo, o turismo é tratado como instrumento de desenvolvimento dos territórios, e não como um fim em si mesmo. A proposta parte das vocações culturais, ambientais, sociais e produtivas locais para transformá-las em oportunidades econômicas legítimas, inclusivas e sustentáveis.

Para Tainah Fagundes, coordenadora local do projeto, o diálogo estabelecido nesses primeiros encontros será determinante para as próximas etapas.

“Cada comunidade traz conhecimentos, experiências e uma relação própria com seu território. Essa escuta vai nos ajudar a construir os próximos passos respeitando essas particularidades, fortalecendo o que já existe e identificando, junto com os moradores, caminhos para gerar novas oportunidades e conservar os ativos naturais e culturais dos territórios. O objetivo é que esse processo fortaleça cada vez mais a autonomia das comunidades”, afirma Tainah.

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